fundacaogulbenkian

Monday, November 27, 2006

nada a declarar

apesar de nada haver a dizer, da nossa parte, sobre o que se passa no mundo artistico - aqui ficam uma nova leva de links - obrigada pela visita ainda assim ...

artservis - "Are you involved in contemporary arts and searching for funds, knowledge, or opportunities for collaboration? You've come to the right place." eslovenia

arte capital - "A Artecapital dirige-se ao mundo das Artes Visuais e da Cultura, pretendendo levar a Arte a todos os que tenham interesse ou apostem neste universo, por forma a desenvolver e expandir, constantemente, a comunidade dos apreciadores de arte, a qual combina coleccionadores, críticos, galeristas, artistas, museus, curadores e inclui outros grupos de público, arquitectura, design, educação e até negócios." portugal

david shrigley - lives & works in glasgow - reino unido

amostra - É uma revista editada apenas em ambiente web, e funciona como uma galeria virtual de trabalhos de jovens criadores portugueses.

Forde - Espace d’art contemporain- Genève

illegal art - Freedom of Expression in the Corporate Age -eua

Martha Rich - artista - eua

pamela henderson - artista 1979 texas - eua

the no foundation - say no to nothing - The No Foundation is against everything - london -reino unido

london consortium - the london consortium is a unique collaboration between the Architectural Association, Birkbeck College (University of London), the Institute of Contemporary Arts and TATE. reino unido

vimeo - A really good site for people who like video, and other people. .com

a drawing a day -isto diz tudo - reino unido

Monday, July 10, 2006

APENDICE


Alvissaras, há um novo espaço alternativo no Porto >>>> Desta vez numa pequena loja dum centro comercial praticamente desabitado.

Assim podem agora encontrar no Centro Comercial de Cedofeita, rua de Cedofeita - Porto o Projecto Apêndice, coordenado pelas já conhecidas artistas portuensens Carla Filipe e Isabel Ribeiro (organizadoras, com Renato Ferrão, Eduardo Matos e Rui Ribeiro, do extinto Salão Olímpico)

Apresentamos aqui umas fotos da Instalação "Domingo todos os dias" de Marco Mendes


Está agora patente o trabalho de O.S.G.A.
Paint Balls

Loja 100 - cave

Vale a pena também visitar o espaço pelo pequeno snack bar Vegetariano: Peixinho da Horta, comer um folhado e beber uma mini

Thursday, June 29, 2006

LINKS

o blog parece parado mas não está... neste momento temo-nos focado na alteração periodica da nossa lista de links...
aqui vão mais umas sugestões do que nos tem vindo parar em mãos

Heidrun Holzfeind
artista austriaca, de momento em residencia em inglaterra...

rainer ganahl
Artista suiço, vive em Nova Iorque - Projecto que apresenta em sevilha

kevin blechdom
Cant'autora - esteve na festa de aniversário de serralves o ano passado

Mudam- Luxemburgo
expoe neste momento o artista portugues, sancho silva

circulo no feminino
leem poesia pelo Porto, Paul Auster...

Wanda
aqui escrevem-se fantasias femininas como comentários a imagens/representações eróticas

Thursday, May 11, 2006

yes I am, no I am not



Isabel Carvalho
Galeria Quadrado Azul – Porto até 27 de Maio 2006


Yes I am—No I am not
Are you Portuguese?
Yes, I am – No, I am not
Are you European?
No, I am not – Yes, I am

Seria isto que quereria dizer a pergunta, és português, europeu, socialmente adaptado, normalizado, heterosexual, branco, homem?
No, I am not!

A Exposição de Isabel Carvalho foge também das normas, aglomera materiais, cria zonas… agrupa e exclui, excede, pinta, cola, desenha, organiza. Camas, beliches, espaldares, mesas, escadas inacessíveis… mas não é uma casa, não é uma lixeira, não é uma escola, não é um pinhal.

Não é fácil pensar esta exposição, quanto mais escreve-la, uma das pinturas tal como o fanzine concebido por Isabel Carvalho para a exposição pode dar-nos mais pistas. “SAFA-TE… o que desejava ter feito não tem nada a ver com isto”. Povoou-o com monstros, mascaras e animais. O Lobo Mau está feliz. O Pinóquio vai para a escola, mas encontra alguém que o desvia do bom caminho. Há também fantasmas e uma vagina voadora. O Bambi está amputado e exclama algo que não chegamos a ouvir. Que sabem todos eles do que se passou nos bosques, nos beliches. Isabel diz-nos que perguntemos à vidente, e por isso coloca uma tosca bola de cristal, cabeça tosca sem ouvidos… a quem perguntar então? O que queria então a artista ter feito?

Algures no porto … I am not a horse, I am not a winer, I eat my own flesh… morreu um transsexual pelas agressões infligidas por um grupo de jovens de risco, segundo analistas, psicólogos, sociólogos, fizeram-no para escaparem ao mesmo destino, para poderem controlar aquilo que a sociedade lhes reserva. A marginalidade.


Confidenciava alguém
- Inacreditável o que se vê na galerias hoje em dia…

Porra… finalmente!

Monday, May 08, 2006

O Estado do Sono



Suzanne Themlitz
O Estado do Sono

A Republica popular do Sono, o Reino do Sono, o Principado do Sono, este último talvez soara melhor visto este Estado estar tão protegido dentro do luxuoso edifício da Culturgest Porto, que seguramente será um Estado ao abrigo de um irmão maior.

Como se organiza a vida das criaturas que habitam o Principado do sono? E como articulamos nós, seus turistas, os nossos corpos por entre destroços da chegada desses seres a este Estado.
Mas então e se o Estado for estado? E não passar tudo do congelar do momento de vigília destas criaturas? Não, fico-me pela primeira opção, pois porque raio dormiriam elas de pé e em perfeita interacção? Ou seremos nós os sonâmbulos?

O Estado/principado/protegido – A Reserva Natural do Sono. Local onde habitam as criaturas que nos povoam a mente enquanto dormimos. Chegam pelo ar, a maior parte delas, e assemelham-se-nos. Tudo é tosco, pois o que interessa é dar a ideia de e não ser. A minha mãe, o sapateiro lá debaixo, os prédios como colmeias, que a uma hora certa descarregam enxames de gente, gente, gente. Corpos maquinas, condutores de fluidos… mas e o silencio? Aonde estão os enxames, as abelhas obreiras, as moscas, os mosquitos. Este Estado está realmente em suspensão. O que o terá parado? Suspendo eu também a respiração, saio de mansinho, não sei se quero acordar este/deste Estado.

Thursday, April 13, 2006

locus solus III


“Em Locus Solus III, Pedro Morais parte do título do livro de Raymond Roussel, lugar Solitário. Um muro oco de cal pintada e água corrente oferece ao observado um momento singular de concentração espácio- temporal.”

Eu atravessei o corredor húmido! Devia ter 12 ou 13 anos quando decidi percorrer uma conduta de água que, perto da casa dos meus pais, passa por baixo da auto-estrada. Esta não tinha mais de 80cm de diâmetro, mas alonga-se por várias dezenas de metros. Fi-lo com o intuito de me mostrar digna de qualquer brincadeira de rapazes, fi-lo para superar o medo. É uma das piores experiências que recordo, ainda antes do meio das dezenas de metros que separam as duas entrada/saída arrependo-me. Não há nada a fazer, não me posso virar, o único caminho é em frente. Molhada, arrastando-me sobre detritos, controlando-me para não chorar e continuar a respirar, fixo a luz. Vinte anos passados, sabendo de antemão que não é grande experiência, decido atravessar o corredor húmido de Pedro Morais.

Sobre um degrau admiro o fundo do corredor, com uma fina camada de água como se o fizesse da prancha de uma piscina. Olho em frente e reconheço o vermelho característico do chão do Parque de Serralves, que me acalma. O gesso húmido cede sobre a pressão das minhas unhas, avanço. Desta vez muito mais confiante, afinal já sobrevivi a piores tormentos.

Lá dentro, afinal, sinto-me refugiada, protegida. Voltar-me, já sei, não é solução, sigo em frente. Espanto-me com a forma como se construiu um espaço tão alienado de tudo aquilo que o rodeia. Atravessar este corredor é partilhar do segredo duma gruta.

Thursday, April 06, 2006

apesar de tudo




APESAR DE TUDO
Susana Chiocca

Galeria Plumba
Rua Adolfo Casais Monteiro, 16
14:00/19:00 segunda a sabado) 226 062 176

A família mais próxima retratada através dos seus pés e pernas nus. Assumo família, mas não sei que família, se a nuclear, se consanguínea ou aquela de que nos (a artista) apropriamos.

São pernas e pés sobre fundos negros, e cartazes brancos. Que um brilho denuncia uma impressão a branco de uns outros pés e pernas. Estes, desvela-me a autora, são os seus. Já os tinha visto na rua afinal, mas não lhe dei a devida atenção, apenas que era curioso, alguém andava a colar grandes cartazes em branco pela rua.

Ambos, fotos e cartazes estão dispostos na galeria com algum descuido, propositado. Enrugam-se, sobrepõem-se, que denota uma posição de desafio ao próprio espaço “white cube”, ou de desconforto.

Sobre um plinto ao centro do espaço, “headphones”, ai podemos ouvir as vozes que pertencem aos vários retratados cantando, uma canção por cada familiar, algo com que se identifiquem, e que os identifique.

Ora, tudo me parece uma forma de retratar a família, mas não sendo por aquilo que mais há de convencional no retrato e identificação: Face, nome, relação com a retratista. Nada disto nos é dado directamente, Chiocca faz sim uma abordagem envolvente à ideia de retrato, de retrato de família, de auto-retrato através da família para precisar.

Mas porque criamos expectativas em relação a nomes, face àquilo que já vimos, ao que conhecemos dos artistas, não pude deixar de me sentir desiludida, talvez tenha sido sempre falsamente conduzida, mas esperava humor.

Afinal a arte é de rir, Chiocca!

até 15 de Abril

O toque de midas



O TOQUE DE MIDAS # Catarina Carneiro de Sousa

Galeria de Arte SMS Museu Sociedade Martins Sarmento
Rua Paio Galvão, 4814 – 509 Guimarães
09:30/12:00 e 14:00/17:00
Excepto segundas e feriados
253 415 969

“Fora do texto nada! Adapta-te não é preciso chorar… “ diz uma voz, primeiro feminina, depois masculina ou então simultaneamente.

Foi neste espaço amplo, demasiado amplo para ser acolhedor que Catarina Carneiro de Sousa instalou O Toque de Midas. Dividindo-o como se uma casa se tratasse, mas uma casa onde a acção ficou para trás, no eco das palavras. “Uma imensa perplexidade substitui, pouco a pouco a carne.” Os espaços estão vazios, e aparentam que assim o estão há imenso tempo, demasiado tempo. Promessas, desejos, esperanças, desespero. Apesar de já ter passado a entrada, ter visto um vestígio de quem ali viveu através do meu próprio reflexo no negro das fotos sobre-expostas, procurado quem mais à frente se sentaria iluminada, à espera, refugiando-se nas palavras de um livro, dou então conta através do reflexo do enorme espelho que me diz “O teu olhar começa antes de chegar”, duma cama, volto-me. Uma cama de casal, feita, mas aonde jaz mais um vestígio da habitante deste espaço.

Mas “Aqui não há pessoas, não há uma sala, nem um escritório, nem um quarto, apenas as palavras que lá ficaram ou vão lá estar. Aqui não corre o tempo. Aqui ninguém fez amor, ninguém comeu, ninguém dormiu. Aqui ninguém foi embora, ninguém ficou. Aqui ninguém viveu nem morreu. …” diz-nos Catarina Carneiro de Sousa.

Embora ninguém habite este espaço fisicamente, ele está povoado de indícios da passagem corpórea de alguém, a camisa de dormir sobre uma cama impecavelmente composta, um maço de cigarros sobre a mesa de leitura, espaço este quente, que de todos parece que foi aquele que mais recentemente foi abandonado. O passar do tempo está em cada objecto. Percorro cada espaço composto pela artista, coleccionando citações, “calo-me”, “Quero sentir o teu peso”. Tentando reconstruir uma estória, procurando a protagonista em cada objecto, cada palavra.

Mas “Aqui só se leu e escreveu. Apenas palavras, devoradas ou cuspidas, substituem o outro, substituem os lugares, substituem o próprio correr do tempo, com um poder tal que o objecto não nomeado, o acto não narrado, o lugar não descrito, o amor não declarado deixam de existir. Carne tornada verbo. Depois da palavra o acto torna-se obsoleto.” Continua ainda a autora.

Talvez seja isso que torne esta instalação tão estranha, que como as nossas estórias/histórias pessoais, passam-se muito mais naquilo que acabamos por fantasiar e recontar para nós próprios como quem se embala.


Até dia 15.04.2006